Não amá-la seria impossível.
Ela era difícil.
Mas talvez essa seja a forma mais rasa de descrevê-la.
Difícil é o trânsito de uma segunda-feira.
Difícil é uma conta atrasada.
Difícil é gente vazia tentando parecer profunda.
Ela não.
Ela era intensidade mal traduzida.
Tinha dias em que parecia feita de espinhos.
Respondia curto.
Se fechava do nada.
Criava silêncio onde qualquer outra pessoa criaria discussão.
Mas então… vinha a contradição.
Porque a mesma mulher que endurecia o olhar, era a que perguntava se você chegou bem em casa.
A mesma que fugia do mundo, era a que fazia carinho sem perceber.
A mesma que parecia fria, tinha um coração absurdamente incapaz de abandonar quem amava.
E talvez fosse exatamente isso que destruía qualquer tentativa de esquecê-la.
Ela não era fácil de decifrar.
Era fácil de sentir.
A voz dela tinha calma.
Daquelas que desmontam um homem cansado sem fazer força.
E isso era perigoso.
Porque existem mulheres bonitas.
Existem mulheres inteligentes.
Existem mulheres desejáveis.
Mas raríssimas são aquelas que conseguem parecer abrigo… mesmo carregando tempestades dentro de si.
Ela carregava.
E eu acho que foi aí que tudo piorou.
Porque amar uma mulher doce é simples.
Agora, amar uma mulher difícil e doce ao mesmo tempo… isso vicia.
Você começa tentando entendê-la.
Depois, começa a admirá-la.
Quando percebe, já está defendendo os defeitos dela em silêncio.
Ela tinha um coração enorme.
Só não entregava as chaves dele para qualquer um.
E honestamente?
Ainda bem.
O mundo já teve acesso demais a coisas que não merecia tocar.
Mariana tinha esse jeito estranho de machucar e acolher quase na mesma frase.
Como se amor, proteção e caos coexistissem dentro dela desde sempre.
E talvez coexistissem mesmo.
Algumas mulheres não foram feitas para serem passageiras.
Foram feitas para deixar marcas permanentes em homens que juravam ter controle emocional.
Ela deixava.
Porque não amá-la seria impossível.
Mesmo nos dias difíceis.
Principalmente neles.